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Audiência pública discute demandas do sistema socioeducativo

Audiência pública discute demandas do sistema socioeducativo

Ter, 17 Set 2019 16:40

Audiência pública discute demandas do sistema socioeducativo

Audiência pública discute demandas do sistema socioeducativo

O principal objetivo do sistema socioeducativo é a ressocialização de crianças e adolescentes, porém, para desempenhar bem esse papel, o sistema precisa de financiamento e profissionais, ambos em falta. Nesta terça-feira (17), a Câmara Legislativa promoveu uma audiência pública, liderada pelo deputado Fábio Félix (PSOL), a fim de discutir as necessidades do sistema e como melhor atendê-los.

Formado em serviço social e agente socioeducacional por anos, o deputado trouxe, à mesa da sessão, colegas da antiga profissão e jovens egressos do sistema para discutir sobre como melhorar o trabalho dos agentes e o funcionamento das unidades de internação, e do sistema como um todo. As principais pautas do evento foram a busca por parcerias, a importância de oficinas, cursos profissionalizantes e atendimento por parte de especialistas e, principalmente, a centralização de recursos como forma de melhor financiamento.

A sessão começou com um pronunciamento inicial de Félix destacando a importância da questão socioeducativa para seu mandato, com destaque ao enfrentamento do sucateamento que sofre, e o papel que servidores públicos, sobretudo, legislativos desempenham na defesa do sistema. Logo depois a audiência teve continuidade com uma apresentação musical de jovens que estiveram inseridos em unidades do sistema sobre a realidade que viveram dentro e fora delas.

Esses jovens tiveram participação ativa na discussão e ilustraram as principais experiências que passaram nas unidades, assim mostraram os bons e maus aspectos de cada uma. Os elementos positivos mais citados foram as oficinas e cursos profissionalizantes, ambos ministrados por especialistas, uma vez que a ocupação ajuda as crianças e os adolescentes a não reincidirem. Os agentes socioeducativos da Unidade de Internação Provisória de São Sebastião, Ana Paula e Marcos Aurélio, reiteraram o que havia sido dito sobre a importância de oficinas nas unidades. Eles implementaram um projeto de xadrez na unidade e citaram as falas de alguns dos participantes dele que haviam aprendido a "pensar antes de fazer algo", "analisar melhor minhas escolhas" e "ter paciência", graças ao jogo.

Marcos enfatizou que o projeto não seria tão bem sucedido não fosse a parceria entre a unidade e a escola que oferecia o espaço. Foram vários os representantes que concordaram com a importância de parcerias entre o sistema e o governo ou outros setores. Félix gostaria de criar uma parceria entre as unidades e a CLDF e outros setores empresariais. No entanto, são justamente os especialistas que ensinam os cursos e o dinheiro necessário que mais faltam de acordo com integrantes da mesa.

Semiaberto – Outra pauta defendida pelos profissionais era a mudança do tipo de políticas usadas pelo sistema. A representante do Núcleo de Atendimento Integrado/Unidade de Atendimento Integrado, Carla Fontinele, citou a necessidade de investimento na implementação de políticas de prevenção ao invés da política de internação mais frequentemente usadas atualmente. Opinião que também foi defendida por Paulo Balsamão, da Defensoria Pública do Distrito Federal. Ele argumentou que, apesar de ser, aparentemente, mais cara ou não tão eficaz, esse tipo de política traz resultados melhores a longo prazo.