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Audiência pública defende estrutura adequada à educação no campo

Audiência pública defende estrutura adequada à educação no campo

Qua, 19 Jun 2019 16:03

"Educação do campo é direito e não esmola". Com este apelo, estudantes da escola Córrego do Barreiro, do Gama, pleitearam estrutura adequada à realidade do campo durante a audiência pública que discutiu os problemas da educação em áreas rurais, na manhã desta quarta-feira (19), no plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

O mediador do debate, deputado Reginaldo Veras (PDT), defendeu que os alunos residentes em áreas rurais devem ter o direito de permanecer no campo. Por isso, uma de suas principais bandeiras parlamentares é a melhoria na infraestrutura das escolas do campo. Veras rechaçou o argumento de priorizar o quantitativo de beneficiários: "Educação, seja no campo ou na cidade, tem que ser valorizada na mesma plenitude".

O parlamentar acrescentou que sua função é intermediar os atores da comunidade escolar para tentar sanar os problemas, daí a importância de dar voz aos estudantes, professores e diretores. Nesse sentido, o evento teve ampla representação de escolas rurais de Planaltina, Brazlândia, Gama, Ceilândia e Paranoá, como o Centro de Ensino Ponte Alta do Baixo, Ced Incra 9, Córrego do Barreiro, escola rural de Planaltina, EC Itapeti, EC Lages da Jiboia, CEF Tamanduá, entre outras.

"Somos filhos de produtores rurais e queremos acessibilidade a escolas na área rural", sintetizou a aluna do Ced Incra 9, de Ceilândia, Clara Moraes, ao expor a necessidade de ampliação dos horários de ônibus, melhoria na qualidade do transporte, asfaltamento de vias e acesso à internet. Assim como Clara, outros estudantes que se manifestaram em plenário pleitearam estrutura condizente com a realidade em que vivem, com hortas e minhocários, e a valorização da identidade regional.

Também pela valorização da cultura do campo, a dirigente estadual do Movimento dos Sem Terra (MST), Aldenora da Silva, destacou que as bases dessa identidade são a "diversidade do sujeito do campo" e "o amor à terra". Ela enfatizou ainda o lema do movimento: "Educação do campo, dinheiro nosso, dever do Estado". Do mesmo modo, a representante do Sindicato dos Professores (Sinpro), Letícia Vieira, considerou que "educação não é gasto, é investimento". Vieira, que lecionou na escola Córrego do Barreiro, disse que todos precisam "estar atentos diante da ameaça de transformar a educação em mercadoria", presente no cenário atual do País.

Nesse viés, a deputada federal Érika Kokay (PT-DF) destacou o momento de turbulência com ameaças aos direitos e cortes de recursos na área da educação. Como contraponto a esse cenário, ela defendeu a resistência e o sentido de escola como "espaço de troca dos saberes".

Agricultura familiar – Ainda de acordo com Kokay, uma medida prática que promove a integração entre escola e comunidade rural é a compra de produtos dessa comunidade para o preparo das refeições escolares. A parlamentar destacou que é preciso viabilizar a legislação que garante a compra de, no mínimo, 30% de produtos oriundos da agricultura familiar na alimentação escolar.  

O cumprimento dessa medida também foi defendido pelo representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), Lacerda Souto. Ele destacou também a importância de hortas e alimentação adequadas à realidade do campo, lugar de "desenvolvimento e não de atraso".

Em nome do governo, a gerente da Educação do Campo da Subsecretaria de Educação Básica, Cristiane Correia de Jesus, disse que ontem (18) foram aprovadas as diretrizes pedagógicas das escolas do campo e na próxima semana haverá reunião em atendimento às cartas de reivindicação das escolas, como espaços adequados, cursos e debates formativos. Ela adiantou ainda que, no próximo mês, acontecerá reunião com o MEC para avaliar as perspectivas nessa área.

Universalizar o saneamento básico em áreas rurais é compromisso da Caesb, segundo o gerente Messival José Mendes. Os esforços da empresa têm sido garantir a qualidade das águas nas escolas do campo, acrescentou. Além disso, ele informou que, neste ano, houve reestruturação da empresa para aproximar a Caesb da realidade das comunidades rurais.

Franci Moraes

Fotos: Rinaldo Moreli/CLDF

Núcleo de Jornalismo – Câmara Legislativa